14/05/2010

Inea interdita obra sem licença na Ferradura

Uma nova tentativa de construção irregular de uma pousada em via pública, na Ferradura, foi interrompida por agentes ambientais do INEA – Instituto Estadual do Ambiente. Funcionários que trabalhavam no local, escavando o terreno, foram levados à delegacia de polícia e os responsáveis pela obra irão responder por dois crimes ambientais: fazer obra sem licença ambiental e extração de minerais. Além dos crimes ambientais, os proprietários também serão processados por descumprimento da revogação de licença de obra, suspensa desde abril deste ano.
         A obra em questão estava acontecendo em uma área situada entre a  Av. Parque e a rua D III. O responsável pela obra é o empresário Nelson Xavier, proprietário de duas outras pousadas na Ferradura: Ferradura Resort e Ferradura Private. Ambas foram construídas com as devidas licenças da secretaria de planejamento, porém descumprindo a Lei de Uso e Ocupação do solo. Apesar de estarem em uma Zona de Ocupação Controlada (ZOC 20), têm uma taxa de ocupação muito superior aos 20% permitidos por lei. E o Ferradura Resort, que fica na mesma Avenida Parque, invade a metade desta via pública.
         Mauro Acerola, agente ambiental responsável pela operação, informou que os responsáveis pela obra descumpriram o artigo 64 da Lei Estadual N° 3.467, de 14 de setembro de 2000 que proíbe “iniciar obras ou atividade, construir, reformar, ampliar, instalar ou fazer funcionar, em qualquer parte do território nacional, estabelecimentos, obras ou serviços potencialmente poluidores, sem licença ou autorização dos órgãos ambientais competentes, ou contrariando as normas legais e regulamentos pertinentes”.
         Além disso, também responderão pelo crime de extração ilegal de minerais, pois trabalhavam com uma retro escavadeira que retirava silício do terreno. “Esta denúncia será encaminhada aos órgão competentes para que tomem as devidas providências. Também constatamos que a licença de obras havia sido suspensa em abril deste ano e eles a estavam descumprindo”.  
         O secretário de Planejamento, Orçamento de Gestão, Ruy Borba, informou que esta obra foi licenciada pelo governo passado, em 2008. E que ele apenas a re-ratificou no final do ano de 2009. “No início de 2009 o alvará foi por mim suspenso. O então coordenador Roberto Campolina informou se tratar de área pública. Mais tarde, com a juntada da sentença judicial, proferida em ação impetrada pelo MP da Tutela Coletiva (a partir de representação da AMOCA - da qual é membro diretor o mesmo Campolina), ficou esclarecido que a área é particular, tendo sido juntadas a matrícula no RGI, bem assim a escritura pública relativa ao lote. Diante disso, revisei o meu ato administrativo, revigorando a licença anterior em 2009”.
         Entretanto esta licença foi suspensa em abril deste ano, coincidentemente após um parecer contrario da Procuradoria Geral do Município. Segundo Ruy Borba, a suspensão se deu apenas para que o arquiteto, responsável pelo projeto, o adequasse aos padrões urbanísticos vigentes. “ Pequenos detalhes, como recepção fora dos padrões, ausência de lavanderia etc”.



INVASÃO NA AVENIDA PARQUE

         Porém, a AMOCA – Associação de Moradores e Caseiros da Ferradura – rebate o argumento de que a construção, neste terreno, estaria de acordo com a legislação municipal. Alega que a área, apesar de ter matrícula e RGI, ‘engole’ metade da Avenida Parque. Como prova deste argumento, exibem o mapa da planta do Loteamento Condomínio do Atlântico (008-C-A), aprovado pela Prefeitura Municipal de Cabo Frio, em julho de 1978. Segundo decisão judicial do doutor João Carlos Corrêa, em 2009, este seria a planta legalizada do Loteamento. Nela fica claro que a Avenida Parque é uma via pública de mão dupla com um canteiro central.
         Como parte desta via já havia sido ‘limada’ quando da aprovação do projeto de construção do Ferradura Resort, a AMOCA decidiu fazer uma denúncia ao Ministério Público da Tutela Coletiva, para evitar que tais prejuízos aos bens públicos ocorram novamente.
         Para o presidente da entidade, Romero Medeiros, causa estranheza que a Secretaria de Planejamento tenha dado licença para esta construção, sem que o projeto tenha sido submetido à Secretaria de Meio Ambiente. Questiona também, como o Planejamento não se apercebeu de que o terreno ‘invade’ uma via pública de tamanha importância. “A mim parece um descaso com o bem público e com o meio ambiente”.
         Romero aponta ainda a estranheza da placa de licenciamento que foi colocada no local, e questiona a sua legalidade. A placa é de uma Edificação de Uso Comercial, mostra que a ‘Área Total de Construção é de 895,41m2, mas não traz informações sobre a Área do Terreno, nem sobre a Taxa de Ocupação e o número de quartos. “Como isto é possível? Isto não me parece um lapso na confecção da placa, mas sim uma tentativa de camuflar outras irregularidades da obra”.

01/05/2010

NOTA DE FALECIMENTO

Prezados associados,
A AMOCA tem o penoso dever de informar o falecimento do nosso querido associado e cofundador, Herman Dielemans. Herman foi um membro ativo da AMOCA desde os nossos primeiros passos e muito contribuiu para a nossa luta por melhoramentos no bairro. Ele nos deixou na última quinta-feira, dia 27, e seu corpo será cremado no cemitério do Cajú, Rio de Janeiro. Ao seu sempre presente e amoroso companheiro de longa data, Eduardo Moraes, transmitimos o nossos pêsames e reafirmamos o nosso total apoio e solidariedade.

Ass.: Diretoria da AMOCA

07/04/2010

MP requisita adequação do projeto do INSS

O Ministério Público da Tutela Coletiva de Cabo Frio determinou a adequação, à lei municipal, do projeto do posto do INSS, que está sendo construído no bairro da Ferradura. A medida resultou da reunião que aconteceu no dia 31 de março, na sede do MP, em Cabo Frio. Agora, a secretaria de Obras tem o prazo até o dia 15 de abril para cumprir a determinação.
         Deste encontro, participaram o promotor de justiça, doutor André Luiz Farias; o secretário municipal de obras, Vilmar Mureb; os representantes da AMOCA, Roberto Campolina e Mônica Casarin; e o gerente executivo do INSS, Fernando Mascarenhas.
         O gerente executivo do INSS começou afirmando que o projeto do posto de atendimento não poderia sofrer nenhuma modificação, mesmo estando irregular em relação a Lei do Uso e Ocupação do Solo Urbano. Informou que iria pedir a modificação da lei municipal junto à Câmara de Vereadores, caso fosse preciso. Ou, simplesmente, cancelaria a instalação da sede no município, com o argumento de que a população não estaria interessada no serviço.
         Os representantes da AMOCA argumentaram que jamais questionaram a instalação da sede do INSS na cidade, apenas pediam que ela se adequasse à legislação municipal, como é do dever de todos. O secretário do Obras então apresentou as plantas do local e do projeto, onde ficou evidente a inadequação do mesmo perante a Lei. O promotor, após ouvir as partes, determinou que o projeto se adequasse à Lei do Uso e Ocupação do Solo Urbano, ou tomaria as medidas judiciais cabíveis.
         Ao final da reunião, ficou acertado entre as partes que a secretaria de obras do município iria apresentar, no prazo de 10 dias úteis, um novo projeto adequado à legislação municipal. Alertou, porém, que isto poderia implicar na desafetação de aquela área pública.

Veja a íntegra da Ata da Reunião à seguir:


09/02/2010

Posto do INSS infringe lei municipal

No dia 28 de janeiro, a AMOCA enviou uma carta ao prefeito Mirinho Braga alertando sobre as irregularidades identificadas na construção do posto do INSS, na entrada do bairro da Ferradura. Como não obteve nenhuma resposta do prefeito, após o prazo oficial de 10 dias, a entidade tomou outras providências. Uma representação foi enviada ao Ministério Público de Tutela Coletiva - núcleo Cabo Frio, requerendo a instauração de procedimento. Pede ao MP que determine a imediata paralisação da obra, até que os fatos sejam investigados, e que as possíveis irregularidades cometidas pelo poder público na aprovação do projeto sejam punidas. A seguir, a carta enviada ao prefeito Mirinho Braga, em 28 de janeiro de 2010:

Exmo Sr. Prefeito Mirinho Braga,
A AMOCA – Associação de Moradores e Caseiros da Ferradura vem a Vossa Excelência pedir sua atenção e sensibilidade para os fatos que apresentamos.
O bairro da Ferradura é um bairro que se diferencia dos demais na cidade, no que se refere a sua espacialidade, promovida por seu projeto urbanístico que gerou o loteamento.
Dentre os atributos urbanísticos marcantes, destacam-se as largas calçadas, as quais, ainda que sem a devida urbanização, garantem ao bairro uma amplitude de paisagens e que, após urbanizadas, garantirão aos pedestres plena segurança.
Porém, recentemente, iniciou-se, na entrada do bairro, a obra da sede do INSS, onde visitando o local, foi verificado que o alinhamento do lote não respeita, nem de longe, o afastamento previsto para o local. O problema teve início desde a doação do terreno, onde uma das pistas da Av. Parque foi equivocadamente incorporada a área pública destinada a estacionamento que foi desafetada, dando a impressão de que a área era maior que de fato é. Basta comparar com os prédios vizinhos (Multi-uso e Delegacia Legal), que obedecem o alinhamento da Av. Parque.
No local da nova obra, onde se deveria ter uma calçada, com cerca de 10m, está sendo feita a base do muro e a calçada ficará com apenas 2.0 m, na Avenida Parque, e 1.50 m, na rua de trás, medidas totalmente incompatíveis com o padrão urbanístico do bairro, logo na avenida de entrada, local de grande visibilidade.
Estivemos na Secretaria de obras, onde nos foi mostrado o projeto, e pudemos constatar que além do alinhamento, existem outras irregularidades gritantes, em relação ao estabelecido na legislação, Plano Diretor e Lei de Uso do Solo. Abaixo, um breve resumo dessas principais irregularidades:


Zoneamento da área, ZC- 10

Taxa de ocupação permitida = 10%, taxa de ocupação do projeto = 36%

Afastamento frontal mínimo = 15.0 m, afastamento projetado = 3.0 m (5x menos)

Taxa de interferência permitida = 20 % projetada = 100% (todo o terreno)

Taxa de preservação obrigatória = 80% projetada = zero

Diante de tais evidências, verifica-se que houve uma imperdoável falha no planejamento da Prefeitura, que deveria ter verificado, com antecedência, os parâmetros urbanísticos do local, antes de ceder o terreno ao INSS, como é feito por qualquer particular que pretende construir na cidade, quando procura a PMAB para se informar sobre o que e de que forma se deve construir, em determinada área. Isso não foi feito, e aparentemente foi cedido um terreno que não atende às necessidades da instituição (desde que, claro, sejam obedecidos os parâmetros de construção, do Município).
A AMOCA – Associação de Moradores e Caseiros da Ferradura está convicta de que os prédios públicos também devem obedecer a legislação, até para dar o exemplo e poder cobrar a regra para os outros.
Como já foi conversado, anteriormente, por uma série de razões, a AMOCA considerou o local inadequado para a sede do INSS, mas se a PMAB pensa diferente e, assim mesmo, cedeu o local, o mínimo que podemos pedir é o respeito aos direitos do cidadão, incluindo-se o direito de exigir que a prefeitura cumpra as legislação.
Considerando que a obra ainda não foi iniciada e que apenas a base do muro está sendo construída, solicitamos que sejam tomadas providências urgentes de paralisação da obra e adaptação do referido projeto à legislação urbanística e edilícia vigente, a fim de evitar danos irreparáveis para o bairro e toda a cidade.
Confiante na boa acolhida ao exposto, reiteramos, nesta oportunidade, votos de consideração e apreço.

ROMERO MEDEIROS
Presidente

29/01/2010

AMOCA quer instalar pontos de coleta seletiva de lixo no bairro

 A AMOCA fechou parceria com a Associação de Catadores de Material Reciclável para a instalação de 02 (dois) pontos de coleta seletiva de lixo na Ferradura. A idéia é que os pontos sejam localizados, um na entrada do bairro e outro nas proximidades dos quiosques de praia. A instalação dos pontos de coletas vai permitir que os moradores e quiosqueiros da Ferradura tenham onde depositar o lixo  seletiva do lixo que pode ser reciclado. Esta atitude, irá evitar que toneladas de lixo reciclável sejam jogadas no mar e nas ruas do bairro, preservando o meio ambiente e contribuindo para limpeza da praia.
Como os pontos de coletas deverão ser instalados em áreas públicas, a AMOCA já encaminhou um ofício às secretarias de Ordem Pública e Meio Ambiente pedindo autorização para uso destes locais. Assim que tivermos uma resposta da prefeitura, os pontos de coletas serão imediatamente instalados nos locais combinado.


Veja, a seguir, o ofício enviado à Prefeitura Municipal de Armação dos Búzios:



                                                                                           AMOCA 006/10                                                            
À Secretaria Municipal de Ordem Pública

Prezados senhores,

A Associação de Moradores e Caseiros da Ferradura (AMOCA), vem através desta, PEDIR AUTORIZAÇÃO para a instalação de 02 (dois) PONTOS DE COLETA DE LIXO RECICLÁVEL, EM ÁREA PÚBLICA, no bairro da Ferradura. A localização, proposta pela AMOCA, seria: o primeiro, na área pública que fica atrás da Delegacia Legal, ao lado do antigo museu histórico de Búzios. O segundo, seria ao lado dos quiosques da praia a Ferradura, cabendo à prefeitura indicar a melhor localização.
A AMOCA, sempre buscando cuidar do meio ambiente e facilitar a vida dos moradores do bairro da Ferradura, acredita que a instalação destes pontos de coleta serão de extrema serventia ao nosso bairro e aos nossos moradores.
Pensando assim, a AMOCA fechou uma parceria com a Associação de Catadores de Material Reciclável (ACMR), que idealizou, e produz, pontos de coleta de lixo reciclável. Um deles já foi instalado no estacionamento do supermercado ‘SÓ OFERTAS’, como pode-se ver na foto em anexo.
A AMOCA ficará responsável por arcar com os custos da instalação destes equipamentos e orientar os moradores do bairro, e aos proprietários de quiosques da praia, sobre como proceder na separação, acondicionamento e depósito dos seus lixos recicláveis. Fica responsável ainda, por manter contato com a ACMR para a coleta desta material.
Certos de que a Prefeitura Municipal de Búzios, através desta secretaria tem total interesse em participar desta causa ambiental e de ordem pública, aguardamos a  autorização para a UTILIZAÇÃO DESTES ESPAÇOS PÚBLICOS, o mais rápido possível, para darmos continuidade ao projeto.

Atenciosamente,

Mônica Casarin F.Elsen
Diretora da AMOCA

Armação dos Búzios, 29 de janeiro de 2010
C/C: Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Pesca